
Segunda-feira (18/01), 6h30. Dona Sandra, de 46 anos, chega ao Terminal de Passageiros do Lagomar. Como de costume, muita gente à espera de ônibus para o Centro de Macaé. Como de costume, os coletivos demoram para chegar ao terminal. Também como de costume, Dona Sandra tem que brigar para garantir um lugar dentro do ônibus superlotado. Porém, nesta terceira segunda-feira de 2010, Dona Sandra percebeu que algo estava fora do comum – diferente dos costumes de sua rotina matinal. O preço da passagem havia subido R$ 2,30 – 40 centavos a mais. Não só ela, mas toda a população macaense foi pega de surpresa: a Prefeitura, na surdina e em meio à dispersão de verão, aumentou o preço do transporte coletivo em Macaé pelo segundo ano consecutivo. Agora, o que era surpresa começa a virar um outro infeliz costume: todo início de ano um novo gasto no bolso.
Aqui, o panfleto que está sendo distribuído pelo mandato.
Aqui, o panfleto que está sendo distribuído pelo mandato.
“O preço subiu de uma hora para a outra na roleta, o que deveria ter sido feito é a divulgação através dos meios de comunicação com anterioridade”, critica o vereador Danilo Funke (PT). E aí que, assim como Dona Sandra, centenas de macaenses foram pegos desprevenidos desde o dia 18 de janeiro. O aumento de 20% na passagem faz com que o custo da ida e vinda para casa fique em R$ 4,60 – mesmo com um transporte de péssima qualidade, sem segurança e sem mesmo o cumprimento dos deveres de contrato.
“Saí de ônibus pela manhã para cumprir alguns compromissos e percebi as reclamações dos usuários, quando também fui surpreendido pela cobrança”, relatou Danilo. De acordo com o vereador, o aumento das passagens é uma prerrogativa do prefeito, que através de decreto pode alterar o valor das passagens. Porém, Danilo cobrou bom senso. “Acho que seria ao menos de bom senso e um ato maduro do prefeito ter levado essa questão ao Legislativo. A responsabilidade por um transporte ruim, ineficaz e ainda mais caro foi mais uma vez assumida exclusivamente pelo prefeito”, criticou o petista.
O motivo alegado pelo Executivo para o aumento de 40 centavos na passagem é o preço do combustível e a reposição salarial dos motoristas. “Difícil de entender”, lamenta Danilo Funke. “Motoristas fizeram até greve pelos baixos salários”, lembra o vereador. Além disso, o preço dos combustíveis ficou estável – fato que vai contra a desculpa levantada pela Prefeitura e concessionárias. Durante o ano de 2009, a bancada governista na Câmara rejeitou requerimentos do vereador pedindo informações sobre os repasses financeiros entre empresas de transporte de Macaé e a Prefeitura.
O vereador diz que contrapartidas serão encaminhadas por ele para amenizar o peso no bolso da população, com a passagem mais cara. Uma dessas propostas é o “Meio Passe Universitário”, ideia que prevê o pagamento de metade do preço pelos estudantes universitários devidamente matriculados. “Esse projeto já foi aprovado em diversas cidades e até na Assembleia Legislativa. É uma campanha da União Nacional dos Estudantes e vamos propor aqui também”, garante Danilo.
Confira aqui matéria publicada no final de 2008 pelo site oficial da Prefeitura de Macaé. O texto explica o motivo do aumento de passagem (para R$ 1,90) e promete melhorias no Sistema de Transporte Público. Leia e veja se realmente melhorou alguma coisa. Obs.: neste ano (2010), não houve aviso.


















