
Santo Rebelde, Arcebispo Vermelho, Profeta dos Pobres... Enfim, são muitas as definições dadas a Dom Hélder Câmara (1909-1999). Nesta segunda-feira (21/12), a Câmara de Vereadores de Macaé - por iniciativa de Danilo Funke - presta sua lembrança a este combatente das causas dos excluídos por meio de sessão comemorativa. O evento começa às 17 horas, no plenário do Legislativo, com a exibição do documentário "O Santo Rebelde". Pastorais, movimentos sociais e diversas lideranças religiosas irão prestar honras ao brasileiro que chegou a ganhar o Nobel da Paz. "Naquela época (década de 70), porém, a ditadura militar no País conseguiu impedir que o prêmio chegasse às mãos de Dom Hélder", recorda Danilo Funke. "Ele, que em 2009 completaria 100 anos, sempre esteve na vanguarda da luta pelos direitos humanos", completa o vereador.
“Tivemos um ano que apontou desafios na luta pelos Direitos Humanos em Macaé, e Dom Hélder tem uma luta que se tornou símbolo na defesa da vida, principalmente dos mais pobres”, explica Danilo Funke, sintetizando o objetivo desta solenidade. Ainda de acordo com ele, que preside a Comissão dos Direitos Humanos do Legislativo, o ano do centenário não poderia ficar sem uma manifestação oficial. “A Câmara fará essa homenagem e vai colocar Macaé num mesmo sentimento de inúmeros outros municípios”, define o vereador. Durante o evento, Danilo Funke irá entregar a honraria de cidadania macaense aos padres Mauro Nunes da Silva e Luiz Cláudio de Mendonça.
Defensor incansável dos Direitos Humanos e liderança incontestável da Igreja Católica no mundo todo durante as últimas décadas do século passado, Dom Hélder nasceu dia 7 de fevereiro de 1909 no Ceará, e faleceu em 27 de agosto de 1999. Foi Bispo auxiliar do Rio de Janeiro de 1952 até 1955, quando foi nomeado Arcebispo do Estado. Em 1964, foi nomeado Arcebispo de Olinda e Recife. Atuou nas áreas dos Direitos Humanos e foi fundamental articulador para a consolidação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e ajudou a articular Conselho Episcopal Latino Americano (CELAN).
Na atuação do dia-a-dia, percorreu os espaços mais pobres das regiões onde desempenhava seu trabalho pastoral. Desta forma, Dom Hélder assumiu uma posição confortável internacionalmente para questionar as práticas de tortura e autoritarismo do Governo Militar. A defesa dos mais pobres, a luta por justiça e a atuação em prol de uma sociedade mais justa rendeu a ele quatro indicações ao Nobel da Paz (1970,71,72 e 73) - sendo que o último não houve vencedor. Apesar de toda a manifestação dos julgadores de que o brasileiro seria o vencedor, porém, o Governo Militar inviabilizou e os julgadores não repassaram o prêmio a outro concorrente.
Os militares o acusavam de comunista e o apelidaram de “bispo vermelho”. O regime chegou a proibi-lo de falar em público no Brasil. Dom Hélder começou a realizar conferências e pregações no exterior. O cerco do regime autoritário se fechou ainda mais quando, pela primeira vez, denunciou ao mundo a tortura a presos políticos no Brasil, num discurso na França, em Paris, em 1970. Foi intitulado ainda Cidadão Honorário de 28 cidades brasileiras e da cidade de São Nicolau, na Suíça, e Rocamadour, na França. Recebeu também o Prêmio Martin Luther King, nos Estados Unidos, e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega, além de muitas outras honrarias internacionais.


















